No enredo, a aniversariante São Paulo

A metrópole mais populosa do país completa hoje 465 anos. E claro que já foi cenário para muitas histórias e outras manifestações artísticas, como música, artes visuais. Por isso, para comemorar o aniversário de São Paulo, selecionei alguns livros (ficção e não ficção) que tem como tema a capital. As informações são das sinopses das obras. Confira (link nas imagens):

 

1. Pauliceia Desvairada

Para abrir a lista, o grande clássico da nossa literatura que marcou o estilo modernista de Mário de Andrade (1893-1945), um dos mais ativos participantes da Semana de Arte Moderna de 1922 e um dos principais autores da primeira geração dessa fase literária. Vista sob a ótica do Arlequim, da loucura, e representada por meio de recursos estilísticos inspirados nas vanguardas europeias, a Pauliceia desvairada revela-se multicultural e cosmopolita: atual, portanto, como a obra do escritor. Com um texto provocador, o autor expressões sua visão sobre a cidade em forma de poemas (ed. Ciranda Cultural.

 

2. Neve na manhã de São Paulo

Ainda falando sobre Modernismo, Neve na manhã de São Paulo (ed. Companhia das Letras), do publicitário José Roberto Walker, é um romance histórico sobre Oswald de Andrade e a normalista Miss Cyclone em uma garçonnière no centro de São Paulo, entre 1917 e 1919. A partir de sólida pesquisa documental, José Roberto Walker recria de maneira notável a atmosfera vibrante da cidade de São Paulo no início do século XX. Neve na manhã de São Paulo joga uma nova luz sobre personagens-chave desse período e mostra com brilho como o modernismo paulista ― que surgiria com a Semana de 22 ― já estava a mil.

 

3. Anarquistas, graças a Deus

O primeiro livro de Zélia Gattai (1916-2008), esposa de Jorge Amado (1912-2001), foi um grande sucesso e conta a história da própria autora, filha de anarquistas chegados de Florença, Itália. Seus pais vão morar em São Paulo e a autora narra a intrépida aventura dos imigrantes italianos em busca da terra de sonhos, e o percurso interior da pequena Zélia na capital paulista – uma menina para quem a vida, mesmo nos momentos mais adversos ou indecifráveis, nunca perdeu o encanto.

 

4. As meninas

Lançado, em 1973, As meninas (ed. Companhia das Letras) conta a história de três jovens que vivem em um pensionato de freiras na capital paulista na época do regime militar. As meninas colhe essas três criaturas em pleno movimento, num momento de impasse em suas vidas. Transitando com notável desenvoltura da primeira pessoa narrativa para a terceira, assumindo ora o ponto de vista de uma ora de outra das protagonistas, Lygia Fagundes Telles constrói um romance pulsante e polifônico, que capta como poucos o espírito daquela época conturbada e de vertiginosas transformações, sobretudo comportamentais.

 

5. São Paulo nas alturas

Além de ser conhecida como pela economia e cultura, a cidade é também referência arquitetônica. Em São Paulo nas alturas – A revolução modernista da arquitetura e do mercado imobiliário nos anos 1950 e 1960 (ed. Três Estrelas), o jornalista Raul Juste Lores apresenta a trajetória de grandes personagens que deram rumo novo à arquitetura, à construção e à vida urbana no Brasil. O livro também traz 98 fotos e um guia dos prédios de São Paulo.

 

6. Territórios em conflito

As grandes cidades têm seus privilégios, mas também carregam grandes problemas urbanos. Em Territórios em conflito – São Paulo: espaço, história e política (ed. Três Estrelas), a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik apresenta, em linguagem simples e direta, os conflitos, temas e opções políticas que definiram a história da metrópole, desde sua fundação até hoje. Apesar de ser um poderoso polo econômico, financeiro e cultural, São Paulo é marcada pela pobreza, pela desigualdade e pela incerteza quanto a seu futuro. Ao refletir sobre a trajetória da cidade, a autora aponta caminhos para que se possa construir, aqui e agora, um lugar melhor e mais justo.

 

7. A capital da solidão

Em A capital da solidão – Uma história de São Paulo das origens a 1900 (ed. Objetiva), o leitor é convidado a conhecer momentos cruciais da trajetória da cidade que, por mais de uma ocasião, esteve ameaçada de penosos retrocessos, senão de extinção, por motivo do abandono dos moradores, da precariedade de recursos e do que por vezes pareceu uma irremediável falta de futuro.

 

8. A capital da vertigem

A continuação da história é contada pelo jornalista Roberto Pompeu de Toledo narra em A capital da vertigem – Uma história de São Paulo de 1900 a 1954  sua arrancada rumo à modernidade. Eis uma cidade que deixa a condição de vila e se torna a maior metrópole do país. É a capital da vertigem: vertigem artística, industrial, demográfica, social e urbanística.

 

9. São Paulo, Cidade Invisível

Uma cidade é, antes de tudo, feita de gente. Em São Paulo, cidade invisível (ed. Mauad), um livro-reportagem, Marcílio Godói traça uma cartografia sentimental da cidade de São Paulo, na qual lugares e personagens vêm à tona, formando um painel lírico. Respaldado por ampla pesquisa, Marcílio denuncia a miséria, a violência, o desemprego, enfim, a catástrofe social que assola a maior metrópole do país, sem cair na emocionalidade populista comum nas crônicas da vida urbana. O livro é ilustrado com fotos de beleza crua, tiradas pelo próprio autor.

 

10. São Paulo, literalmente

Não poderia faltar nesta seleção, um guia fotográfico para redescobrir a cidade de são Paulo (ed. Leya). Prêmio jabuti de 2012 na categoria turismo, João Correia Filho, desvendou os recantos mais charmosos de Lisboa e Paris, brinda o leitor com dicas preciosas sobre a cidade de São Paulo. Mas, ao contrário dos guias convencionais, este vai descortinando os meandros de cada bairro, ruas, edifícios e museus pelos registros literários de quem cantou a cidade em prosa e verso – dos autores clássicos aos contemporâneos, dos consagrados aos alternativos e “malditos”.

 

11. Bienais de São Paulo

Bienais de São Paulo – Da Era do Museu a Era dos Curadores (Francisco Alambert; ed. Boitempo)  faz parte de uma coleção de quatro série, que busca contar a história da Bienal de São Paulo, através do seu trabalho de divulgação e atualização estética e cultural da cidade e do país.

 

12. Saudades de São Paulo

Uma cidade em que o gado convivia com carros e bondes nas ruas; em que construções moderníssimas despontavam no topo de colinas ainda rústicas; em que lençóis caseiros, pendurados nos varais, formavam o primeiro plano para o imponente prédio Martinelli. Essa a paisagem que Claude Lévi-Strauss (1908-2009), então um jovem professor e fotógrafo nas horas vagas, encontrou e registrou fascinado entre 1935 e 1937, quando veio trabalhar na Universidade de São Paulo. Sessenta anos mais tarde, ciente de que uma cidade é “como um texto que, para compreender, é preciso saber ler e analisar”, o grande antropólogo belga escreveu um depoimento memorável em que revisita essas imagens, construindo para as novas gerações o mapa de uma belíssima viagem, no espaço e no tempo (ed. Companhia das Letras).

 

13. Os endereços curiosos de São Paulo

 

E para fechar a lista, Os endereços curiosos de São Paulo (ed. Panda Books), do jornalista Marcelo Duarte. Se você deseja alugar um trailer para fazer uma viagem com a família, cortar o cabelo no meio da madrugada, consultar um dentista para o seu coelho, almoçar em um restaurante búlgaro, consertar o rádio de seu carro antigo, comprar papinhas orgânicas para seu bebê ou fazer um curso de sumô, já sabe onde encontrar o estabelecimento. São cerca de mil endereços para quem deseja conhecer uma São Paulo bem diferente. Duarte, autor da seção “Curiocidade” em O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde e apresentador do boletim  “É São Paulo que não acaba mais!” na Band News FM, percorre quase 300 quilômetros pela cidade toda semana sempre de olho em fachadas, placas, faixas e muros para descobrir novidades.

 

E aí, gostou da seleção? Compartilhe suas impressões e outras leituras que falem sobre São Paulo!

Até a próxima!

*Imagem em destaque: registro da avenida Paulista que fiz no mirante do Sesc.

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